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segunda-feira, 18 de março de 2013

Capitalismo Monopolista

               Capitalismo Monopolista
 
 
A primeira metade do século XIX foi caracterizada pelo capitalismo liberal e pelo "laissez-faire". A Inglaterra, pioneira no processo de industrialização, proclamou-se a "oficina do mundo", defendendo a liberdade de vender seus produtos em qualquer país, sem barreiras alfandegárias, bem como o livre acesso às fontes de matérias primas.
 
A partir de meados do século, o desenvolvimento tecnológico levou ao surgimento de novos métodos de obtenção do aço, produzindo um material mais resistente e maleável, utilizado em máquinas, na construção civil, nos transportes e em objetos de uso corrente. Novas fontes de energia, como o gás e a eletricidade, substituíram gradativamente o vapor. Vários tipos de motor de combustão interna (a gás, a óleo ou a gasolina) possibilitaram o aperfeiçoamento dos meios de transporte (navio, trem, automóvel). Desenvolveram-se as siderúrgicas, a metalurgia a mecânica pesada, a indústria petrolífera, o setor ferroviário e de telecomunicações (telégrafo, telefone e rádio).
 
0 aumento da mecanização e da divisão do trabalho nas fábricas permitiram a produção em massa, reduzindo os custos por unidade e incentivando o consumo. A cada progresso técnico introduzido, os países industrializados alargavam o mercado interno e conquistavam novos mercados externos. A riqueza acumulava-se nas mãos da burguesia industrial, comercial e financeira desses países. Ela não representou o fim da miséria dos trabalhadores, que continuavam submetidos a baixos salários, mas contribuiu para a elevação geral do nível de vida.
 
Os avanços técnico-científicos exigiam a aplicação de capitais em larga escala, produzindo fortes modificações na organização e na administração das empresas. As pequenas e médias firmas de tipo individual. e familiar cederam lugar aos grandes complexos industriais. Multiplicaram-se as empresas de "sociedade por ações" ou "sociedade anônima" de capital dividido entre milhares de acionistas, permitindo a captação da poupança de pequenos investidores, bem como associações e fusões entre empresas.
 
Esse processo ocorreu também nos bancos: um número restrito deles foi substituindo a multidão de pequenas casas bancárias existentes. Ao mesmo tempo, houve uma aproximação das indústrias com os bancos, pela necessidade de créditos para investimentos e pela transformação das empresas em sociedades anônimas, cujas ações eram negociadas pelos bancos. 0 capital industrial, associado assim ao capital bancário, transformou-se em capital financeiro, controlado por poucas grandes organizações.
 
A expansão do sistema capitalista conviveu com crises econômica que ocorreram com uma certa regularidade no século XIX e também posteriormente, sendo consideradas naturais pelos economistas liberais, Tais crises, de modo geral, obedeciam ao seguinte ciclo: a uma fase de alta de preços, salários, taxas de juros e lucros, acontecia a falência de uma ou de várias empresas e bancos incapazes de saldar seus compromissos, devido a má administração, a especulação ou a qualquer outro fator.
 
A falência afetava a confiança do público e dos acionistas de outras empresas e bancos, reduzindo o consumo e o investimento. As indústrias diminuíam o ritmo da produção, caíam o emprego e o poder de compra da população, acarretando novas baixas de preços, lucros e mais falências. Quando os estoques de produtos esgotavam-se, a produção ré tomava lentamente o crescimento, com um menor número de empresas e ma ior concentração do capital, restabelecendo o equilíbrio do sistema.
 
 


 
O cartel é a união secreta de empresas do mesmo ramo de negócios, que estabelecem entre si acordos para fixar um mesmo preço para seus produtos. Com a tabelação do mesmo preço entre os produtos de diferentes empresas, elas acabam com a concorrência entre si, ou seja, quem sai prejudicado é o consumidor, que perde a possiblidade de procurar o menor preço, pois sem a concorrência entre as empresas não existe menor preço. Dessa forma, o cartel é a padronização dos preços dos mesmos produtos em diferentes empresas. A empresa que se recusa a participar do cartel é sabotada e seus proprietários, ameaçados.
 
 
 
Os trustes são associações de empresas que surgiram a partir da fusão de várias empresas que já controlavam a maior parte do mercado. Portanto, trustes são formados quando proprietários de empresas concorrentes se tornam sócios de uma única grande empresa. Assim, passam a controlar grande parte do mercador consumidor, diminuindo também a concorrência e a possibilidade de o consumidor encontrar produtos com menores preços.
 
 
A partir do momento que grandes empresários, no lugar de montar suas próprias indústrias, passam a comprar ações de empresas de um mesmo ramo de negócio, surgem as holdings. Dessa maneira, os empresários começam a controlar ações de duas ou três empresas concorrentes, que produzem um mesmo produto. Portanto, se um mesmo empresário é o proprietário de três empresas que produzem copos descartáveis, a concorrência não existe, configurando-se como uma farsa.
 
 
Perguntas
 


Capitalismo e a Nova Ordem Mundial01- Numere a frase com sua respectiva resposta:
1 - Associação de empresas autônomas que contam com um organismo comercial comum para controle de preços de venda, da quantidade da produção, da distribuição dos mercados entre os participantes e da provisão de matéria-prima.
2 - União financeira em que a maioria das ações de empresas diferentes é controlada por um único grupo.
3 - Fusão de várias empresas numa só unidade, com absorção das mais débeis econômica ou financeiramente pelas mais fortes.
4 - Empresas reunidas sob uma gestão comum, deixando-se a cada uma sua autonomia produtiva.
( ) Truste
( ) Holding
( ) Cartel

02- No final do século XIX deu-se a passagem do capitalismo de livre concorrência para o capitalismo dos monopólios. Neste período situa-se a fase em que, para as grandes potências industriais, a exportação de capitais tornou-se mais importante do que a exportação de mercadorias. Esta é uma das explicações para
a) a origem do imperialismo.
b) o pioneirismo industrial britânico.
c) o surgimento dos bancos.
d) a eclosão da Guerra Fria.
e) a formação do mercado comum europeu.

03- Na Nova Ordem Mundial após Guerra Fria, a organização econômica e política do poder mundial está representada pela divisão:
a) Europa, Japão, Tigres Asiáticos.
b) Japão/Estados Unidos e CEI (Comunidade de Estados Independentes).
c) mundo bipolarizado entre EUA e Japão.
d) divisão Leste/Oeste: EUA e CEI (Comunidade de Estados Independentes). e) blocos econômicos: Tigres Asiáticos, União Européia, CEI (Comunidade de Estados Independentes) Nafta, Mercosul.

04-Segundo Maurice Crouzet: "Desde o fim das operações militares na Europa e na Ásia, as desconfianças se agravam, os mal-entendidos, as suspeitas, as acusações se acumulam de parte a parte, as oposições entre os aliados se aprofundaram e culminaram, em alguns anos, em um conflito que, em todos os domínios - salvo o das armas - assumiu caráter de uma verdadeira guerra, é a Guerra Fria, acompanhada de uma espetacular dissolução de alianças que caracteriza o segundo pós-guerra." Sobre a Guerra Fria, é correto afirmar:
a) ocorreu entre 1947 e 1991 e foi caracterizada pela divisão do mundo em dois blocos políticos ideológicos antagônicos. De um lado, a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas; de outro, os Estados Unidos.
b) ocorreu entre 1945 e 1968 e foi caracterizada pela divisão do mundo em dois blocos políticos ideológicos antagônicos. De um lado, os países do Primeiro Mundo; de outro, os países em desenvolvimento.
c) ocorreu após a derrota dos EUA no Vietnã, dividindo a Ásia em dois blocos: um apoiando os EUA e o outro apoiando a República Popular da China.
d) ocorreu entre 1945 e 1991 e foi caracterizada pela divisão do mundo em dois blocos políticos ideológicos antagônicos. De um lado, os EUA e seus aliados; de outro, as forças do terrorismo internacional que lutam contra os norte-americanos.
e) existe desde o fim da Segunda Guerra Mundial e opõe a Doutrina Truman ao Plano Marshall.

05- No princípio dos anos 90, diversos países europeus assinaram o Tratado de Maastricht (1991). Além de consolidar um processo específico do sistema de unificação econômica europeu iniciado nas décadas anteriores, a assinatura do Tratado é também marcada por tendências dominantes no cenário mundial, destacando-se
a) a liberalização do comércio de produtos do setor agrícola, que permitiu o aumento do volume das exportações primárias do Terceiro para o Primeiro Mundo.
b) o desenvolvimento dos sistemas públicos internacionais de saúde e previdência, marcando o apogeu do Estado de Bem-Estar Social.
c) a consolidação de megablocos econômicos e estratégicos como característica da chamada globalização.
d) a redução de gastos militares em virtude da chamada coexistência pacífica do Ocidente com a URSS.
e) o decréscimo gradativo da concorrência por mercados entre os países ricos, como conseqüência do neoliberalismo.

06- O orgulho e o irracionalismo que conduziram o mundo em conjunto para um desequilíbrio cada vez mais insuportável entre as redes financeiras e econômicas, que acumulam riquezas, e as sociedades fragmentadas, cada vez mais desiguais, não podem continuar se escondendo atrás do tema ambíguo da globalização. Podemos discutir as vantagens e os inconvenientes da crescente internacionalização das trocas, mas esse debate complexo não tem muito a ver com a realidade brutal oculta pela palavra "globalização". Esta proclama a superioridade de uma economia mundializada sobre todos os processos de controle exercidos em nível nacional. Em seu nome, falou-se muito no declínio dos Estados nacionais, quando a realidade observável não corresponde a esse tema de propaganda que busca afirmar o direito de um capitalismo sem controle nem regras a dominar o mundo. (Alain Touraine. "A política contra a cegueira". "Folha de S.Paulo. Caderno Mais!" 27.01.2002) O autor argumenta a favor da idéia de que a globalização
a) possibilitou amenizar as desigualdades sociais e econômicas no mundo capitalista, preparando-o para uma sociedade mais igualitária.
b) tem enfraquecido principalmente as organizações políticas dos Estados nacionais, sem contudo afetar as organizações econômicas nos seus mercados interno e internacional.
c) enfraqueceu ainda mais o controle que os Estados podiam exercer sobre o capitalismo, ao se considerarem principalmente sociedades com economias desiguais.
d) tem beneficiado igualmente todos os países do mundo, quando aliada à mundialização política e cultural. e) possibilitou a internacionalização das trocas, amenizando a brutalidade dos impactos do capitalismo "selvagem".

07- Segundo Samuel Huntington (autor do livro, "O choque das civilizações e a recomposição da ordem mundial"), o mundo está dividido em nove "civilizações" conforme o mapa acima. Na opinião do autor, o ideal seria que cada civilização principal tivesse pelo menos um assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas Sabendo-se que apenas EUA, China, Rússia, França e Inglaterra são membros permanentes do Conselho de Segurança, e analisando o mapa anterior pode-se concluir que
a) atualmente apenas três civilizações possuem membros permanentes no Conselho de Segurança.
b) o poder no Conselho de Segurança está concentrado em torno de apenas dois terços das civilizações citadas pelo autor.
c) o poder no Conselho de Segurança está desequilibrado, porque seus membros pertencem apenas à civilização Ocidental.
d) existe uma concentração de poder, já que apenas um continente está representado no Conselho de Segurança.
e) o poder está diluído entre as civilizações, de forma que apenas a África não possui representante no Conselho de Segurança.

08- Em 1993, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai estruturaram o Mercosul, enquanto Estados Unidos, Canadá e México estabeleciam o Nafta, seguindo a tendência mundial de formação de blocos econômicos. Atualmente se está discutindo a formação da Área de Livre Comércio das Américas. Sobre a proposta dessa criação é correto afirmar que:
a) é contrária ao neoliberalismo, pois propõe a defesa das economias nacionais e a proteção aos pequenos agricultores.
b) significa um grande avanço, pois defende um comércio mais intenso entre os países de todo o continente americano, incluindo Cuba, o que será um fator de ativação para a economia brasileira.
c) garante o livre trânsito de mercadorias, capitais e pessoas em todo o continente.
d) afeta, além do comércio, o meio ambiente, a educação, os direitos trabalhistas, os modelos agrícolas e a tecnologia.
e) tem sido discutida abertamente desde 1997, e todos os países, inclusive o Brasil, têm seus negociadores que garantem, nas reuniões, o respeito aos interesses e necessidades do país.

09-Leia o texto que segue. "O século XX foi, contudo, o primeiro em que o capitalismo enfrentou um sistema contraditório, que pretende substituí-lo. O fato de que o tenha derrotado não supõe o fim da história, mas o ingresso desta em nova etapa. A continuidade das contradições internas ao capitalismo - e, portanto, da história, que tem nessas contradições seu motor - fica comprovada pelo clima de guerra e de confrontos, e não de convivência pacífica e harmônica, de turbulências econômicas, e não de estabilidade, de maior, e não menor polarização entre riqueza e miséria. A humanidade não é mais feliz do que antes da consolidação da Nova Ordem, a violência não é menor, nem o consumo de drogas ou os desequilíbrios ambientais. A liberação das forças do capital para que ajam sem freios não realizou - ao contrário da utopia liberal da "mão invisível do mercado" - a harmonia, a cooperação, a paz, mas seus contrários. Em seu próprio momento de triunfo, o capitalismo revela todos os desastres e as injustiças que estão em seu âmago."
(SADER, E. "Século XX: uma biografia não autorizada." São Paulo: Perseu Abramo, 2000, p. 136.)Em relação às considerações do autor e ao contexto histórico ao qual se refere, analise as afirmações a seguir.
I - O desaparecimento da URSS produziu a instabilidade política no mundo capitalista, ao gerar problemas inéditos como o narcotráfico, o desequilíbrio ecológico, a questão migratória e a separação Norte-Sul.
II - A globalização neoliberal, ao fortalecer o Estado de bem-estar social, não ampliou as contradições do capitalismo, nem os desequilíbrios sociais e econômicos.
III - O bloqueio e os bombardeios sistemáticos contra o Iraque, assim como a intervenção militar da OTAN na crise dos Bálcãs, confirmam o papel dos EUA como Estado "hegemônico" da Nova Ordem Mundial. IV - O clima de guerra referido está expresso nos atentados contra o World Trade Center (1993) e as embaixadas norte-americanas no Quênia e na Tanzânia (1998), assim como na resposta dos EUA, bombardeando o Sudão e o Afeganistão.
V - O movimento antiglobalização, presente em mobilizações e manifestações como as de Seatle, Porto Alegre e Gênova, tem-se mostrado pouco combativo, sendo recebido com indiferença pelo G-7.

 
 
 
 
 
 
 

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